Sandro Aléssio

Professor de Física | UFOPA

Na UEPA, no Centro de Ciências e Planetário do Pará e além!

No mês seguinte em que eu havia saído do projeto que mencionei na postagem anterior, e concomitantemente com o término do primeiro ano no mestrado, no ano de 2007, fui contratado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), como professor itinerante. Uma porta havia se fechado, mas naquele momento me foi aberto um portão! Ministrei aulas em pelo menos nove campi do interior do Estado, para oito graduações diferentes, mais de vinte disciplinas diversas e dezenas de turmas. Orientei e participei de bancas de avaliação de muitos TCCs, assim como, na avaliação de projetos de pesquisa e outras atividades acadêmicas. Organizei no ano de 2009 um evento no campus de Conceição do Araguaia sobre o tema “Aquecimento Global”, envolvendo toda a comunidade acadêmica e público em geral, ainda ajudei a organizar no mesmo campus a Semana Acadêmica de 2010. Na UEPA, pude conhecer melhor o nosso Estado, em suas diversas realidades de educação e cultura do povo, verifiquei o que é trabalhar com educação em ciências e ensino de Física fora da capital. Trabalhei por quatro anos (a partir de 2007 a 2010) como professor itinerante e nos meus últimos três anos de UEPA (de 2011 a 2013) estive no campus da capital Belém.

Fig. 1: Atividade educacional no Centro de Ciências e Planetário do Pará.
Fig. 2: Projetor ZKP-3 localizado no centro da cúpula do Planetário do Pará.

A UEPA foi para mim, um grande laboratório e ambiente de docência por me experimentar de várias maneiras, em diversos contextos (com cursos e disciplinas diferentes, por exemplo). Não que essa experimentação dessa forma seja a ideal, mas trago consigo boas lembranças e uma experiência que nunca havia imaginado antes. Me sinto gratificado por ter feito parte da interiorização da UEPA em tempo integral, foram momentos de dificuldade, alegria, vitória e esperança, conjuntamente com muitos dos meus companheiros de profissão… E hoje fica a saudade! A minha missão de itinerante na UEPA se encerrou no momento em que assumi em novembro de 2010 o concurso para o cargo de Técnico em Física e Planetarista no então Planetário do Pará, hoje “Centro de Ciências e Planetário do Pará” (Fig. 1)! No Planetário, vivenciei constantemente o debate sobre educação em ciências, e o mais importante, a prática da mesma! Nossa equipe, dialogava, planejava e executava diversas ações educativas para o ensino infantil até o nível superior, incluindo projetos também voltados para a terceira idade como o “A Melhor Idade Para Ver as Estrelas”. Participei de muitas discussões a respeito da implantação do centro de ciências, como a dinâmica a ser desenvolvida, as novas ações com os estagiários oriundos da UEPA (em sua maioria), UFPA e IFPA. Participei também da orientação desses estagiários como discentes da disciplina de estágio em ambientes não formais de ensino; como estagiários específicos do planetário (independente de disciplina) ou ainda participantes de projetos como o PIBIC Jr., PIBID e Projeto Novos Talentos.

Na cúpula de 11m de diâmetro do Planetário e com capacidade para receber 105 pessoas, planejava e executava palestras, discussão de vídeos, e claro, o principal, que era a sessão de projeção e simulação do céu, realizada com intermédio do projetor ZKP-3 (Fig. 2). Lá era exibido diversos programas voltados para o público infantil e adulto, onde era simulado na cúpula a noite totalmente estrelada, com a movimentação dos astros, incluindo efeitos e vídeos de acordo com o tema do programa oferecido. Programava e criava na linguagem específica do ZKP-3 uma sessão completa de cúpula. Uma sessão de um planetário requer, além da programação do ZKP-3, a concepção de um tema, um texto (narrado), edição de imagens, vídeos e sons com sincronismo em relação aos possíveis movimentos que o equipamento pode realizar, para que o texto faça sentido ao ser narrado naquele ambiente. Após essa etapa, gravava-se tudo em DVD e o executava conjuntamente com os demais computadores e equipamentos que controlavam toda a ação da sessão de cúpula. Nessas sessões de cúpula, não apenas fazia o controle da exibição da sessão, mas eu discutia sempre que possível antes/depois dessas, conceitos relacionados ao que estava sendo exibido ou realizava outra atividade adequada. Dependendo da sessão, após encerrá-la, a nossa equipe proporcionava observações do céu, normalmente com um telescópio Newtoniano ou Cassegraniano, de 200mm de abertura. De acordo com a época do ano, e quando o céu permitia, fazíamos observações de determinados astros e também considerações a respeito deles para o público presente. A visão que tive de Júpiter com suas quatro principais luas, as mesmas que Galileu observou, foi a observação mais emocionante que tive…

Participei de mostras científicas organizadas pela então Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), hoje conhecida como Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (SECTET), pelo interior do Estado do Pará. Proporcionávamos momentos de ciência e lazer para centenas de pessoas, através de oficinas, minicursos, palestras, entre outras possibilidades educacionais. Participávamos em equipe nessas atividades conjuntamente com várias outras instituições, tais como, UFPA, UFRA, IFPA e MUSEU EMÍLIO GOELDI.

Em novembro de 2011 participei de um encontro realizado em Sobral e Fortaleza no Ceará, promovido pela Associação Brasileira de Planetários (ABP), trazendo de lá novas informações sobre tecnologias de Planetários e muitas experiências fantásticas. Visitei o Museu do Eclipse em Sobral (Fig. 3), que fica no mesmo terreno em que foram tiradas as melhores fotografias que confirmariam a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

Fig. 3: Visão frontal do Museu do Eclipse na Praça do Patrocínio em Sobral-CE.

De 17 a 24 de setembro de 2012 participei do evento “Astronomia no Meio do Mundo”, na cidade de Macapá-AP (Fig. 4), no período do equinócio da primavera. Conjuntamente com parte da equipe do Planetário, oferecíamos uma exposição sobre astronomia e oficinas de lançamento de foguetes com material alternativo, chamando muita atenção do público presente e principalmente das escolas programadas para a visitação no nosso estande. Orientávamos sobre a construção desses foguetes com as respectivas professoras e alunos presentes, para que também fizessem essa prática nas suas escolas. Além disso, houve um intercâmbio de ideias com graduandos de Física da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), sobre o processo de criação desses foguetes, socializando à eles a forma de inserir um mecanismo de paraquedas.

Fig. 4: O Monumento “Marco Zero do Equador” divide a cidade de Macapá-AP em hemisférios norte e sul.

Em atividades acadêmicas de alguns cursos da UEPA que envolviam experimentos, eu desenvolvia-as no Planetário, levava meus alunos para participarem e experimentarem algumas atividades que só lá eram possíveis. Da mesma forma que a UEPA, o Planetário também foi “um grande laboratório e ambiente de docência”, porém com a vantagem de ser um ambiente não formal de ensino, com maior liberdade de ação e intervenção no processo de ensino e aprendizagem em Física e nas ciências em geral. Tudo isso foi intensificado e possibilitado com a cooperação de todos da equipe que existia naquele momento. Talvez por isso tudo, eu tenha mais aprendido do que ensinado.

Em outubro de 2013 uma nova era iniciava, eu assumia o concurso para professor efetivo da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) em Santarém-PA, no Programa de Ciências Exatas (PCE) do Instituto de Ciências da Educação (ICED) (Fig. 5) e assim prossigo e me realizo!

Fig. 5: Ambiente do ICED (Instituto de Ciências da Educação) da UFOPA em Santarém-PA.

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