Sandro Aléssio

Professor de Física | UFOPA

Tag: Física

Observando a natureza

Observar a natureza e seus fenômenos talvez seja a atividade mais antiga da humanidade e de sua ancestralidade. Ela pode despertar perguntas fundamentais sobre nosso passado, presente e futuro. Como nós surgimos na Terra? Qual a origem do universo? Como se explica determinado acontecimento ou fenômeno? São questões que podem surgir com essa observação. Se não há perguntas, então não há dúvidas, e assim não há evolução científica, social e tecnológica. A dúvida é gerada pela curiosidade, e se não há interesse no saber, a vida se estagna.

O ato de observar a natureza no mundo contemporâneo, parece que tem perdido cada vez mais espaço para o mundo tecnológico. Observar o céu com suas modificações e seus fenômenos, hoje perde muito seu lugar para as telas de celulares e eletrônicos em geral, com outras finalidades. A humanidade que no passado muito olhou para cima, hoje tem o pescoço voltado para baixo… Um simples olhar ingênuo de uma paisagem nos remete a lembranças, a sentimentos e sensações, que nem uma outra tela plana pode simular com perfeição. E um observar mais crítico, fez e tem feito o conhecimento da humanidade se expandir.

Hoje acredito que ensinar a partir da temática ‘meio ambiente’, com suas imagens, com os fenômenos presentes no nosso cotidiano, assim como, da tecnologia e dos problemas sociais e ambientais atuais, é a forma mais contextualizada de ensinar Física e demais ciências.

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Me tornando físico

Lateral da faculdade de Física da UFPA.

A escolha pelo bacharelado em Física foi feita por mim também com o propósito de se trabalhar somente para a pesquisa. Mero engano, pois ser bacharel em Física no Brasil, trabalhando somente com pesquisa é algo incomum. A pesquisa em Física no Brasil, na sua maior parte, se encontra nas universidades, e nelas, obviamente, a docência será consequência. Pouco tempo depois, comecei perceber o gosto pela docência, pois comecei a trabalhar num curso pré vestibular popular. Ali já começava as minhas primeiras inquietações como docente, eu não aceitava a concepção de ensino propagada e entranhada até nos alunos. O professor ideal era aquele que resolvia o maior número de questões, era o que brincava mais com os alunos, o que não precisava de livros em sala de aula, e o que “não fugia” do conteúdo programático… Não tive interesse em permanecer ali por muito tempo, só o estritamente necessário. Aquilo tudo parecia muito mecânico pra mim! Jamais pensei em voltar à esse sistema de ensino.

Na graduação tive a oportunidade de escolher as chamadas ‘disciplinas optativas’, em que dentre uma série delas eu deveria escolher as que mais me interessavam, para cumprir certa quantidade de créditos acadêmicos. Escolhi uma que poucos graduandos de Física escolhiam, a Biofísica. A palavra “bio” na cabeça de muitos deles, soava como “isso não é física”! Infelizmente essa era uma mentalidade muito restrita que alguns deles tinham da ciência em geral, e que em parte, era reflexo da própria concepção de ciência exclusivamente positivista, muita arraigada ainda nos dias de hoje… A escolha por fazer essa disciplina foi muito acertada! Ela intensificou meu interesse pela Biofísica e também pela Física Médica, que acabou sendo tema do meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). E a partir daquele momento, sempre fazia leituras sobre o assunto, como por exemplo, sobre os processos físicos do radiodiagnóstico e da radioterapia. Cheguei até a participar de um encontro sobre Radiologia…

Tive a oportunidade de participar de um curso sobre Física Conceitual, durante todo o mês de julho de 2001, ministrado pelo Prof. Dr. Antônio Bulhosa Nassar. O curso foi excelente e me despertou bastante para a importância dos conceitos no ensino de Física, muitas vezes tão negligenciados pela educação básica, se estendendo até o nível superior, enfatizado apenas em cálculos para a resolução de exercícios e avaliações. Continue a leitura…Me tornando físico

Passos iniciais

Escola Municipal SUN-YAT-SEN no Bairro do Tauá, Ilha do Governador, Rio de Janeiro – RJ.

Durante a infância pude experimentar diversas escolas situadas no Rio de Janeiro ou em Belém do Pará. Devido o deslocamento do meu pai como militar, para o Rio de Janeiro, ou devido o período que eu passava em Belém, essas mudanças de escolas, inclusive no meio do semestre letivo, se faziam necessárias. Percebia que a cada nova experiência como aluno, em uma nova escola, com novos colegas e novos professores era um desafio. A timidez e o medo de experimentar uma nova metodologia de ensino, se fazia presente.

A escola deveria ser o lugar para alguém chegar sem medo, mas por quê essa desconfiança minha com o desconhecido? Talvez por eu ter percebido que nem sempre a escola tivesse sido amistosa comigo. Porém, prefiro enfatizar as boas experiências em todas as escolas por onde passei, na Sun-Ýat-Sen, por exemplo, tive uma passagem rápida, mas foi marcante para mim. Lá tive um grande desafio a ser superado, e vi pela primeira vez uma horta de perto, com alunos cuidando dela e depois se alimentando de parte do que foi cultivado… Continue a leitura…Passos iniciais